Atualizado em outubro de 2026

Se o zumbido no ouvido tem cura depende da causa: veja por que ele aparece, o que tem apoio da ciência, o que não tem e quem procurar primeiro.

Revisado por Danusa Oliveira, fisioterapeuta (CREFITO-8 134707-F)

Zumbido no ouvido tem cura? Depende da causa. Quando o zumbido vem de algo tratável, como cera acumulada, infecção ou efeito de um remédio, ele pode sumir depois que essa causa é tratada. No zumbido crônico, que continua sem uma causa removível, o objetivo do cuidado passa a ser reduzir o incômodo no sono, na concentração e no humor.

Quem convive com um chiado que não para quer uma resposta franca, e não mais uma promessa. Este texto mostra o que as pesquisas dizem e quando procurar o otorrinolaringologista. A revisão é da fisioterapeuta Danusa Oliveira, responsável técnica da Clínica Magvida, em Campo Mourão.

O que é zumbido no ouvido

Zumbido no ouvido é a percepção de um som sem nenhuma fonte externa que o produza. O nome técnico é tinnitus, ou acúfeno. Cada pessoa descreve de um jeito: chiado, apito, cigarra, cachoeira, panela de pressão, coração batendo, cliques ou estalos.

Para o Ministério da Saúde, o zumbido é um sintoma, e não uma doença: ele avisa que algo no sistema auditivo, ou perto dele, mudou. A mesma fonte estima entre 25 e 28 milhões de brasileiros com zumbido. Uma revisão Cochrane de 2020 aponta que ele afeta até 21% dos adultos, e de 1% a 3% de forma grave.

Zumbido no ouvido tem cura? Depende de onde ele vem

Quando existe uma causa que dá para tratar, o zumbido pode ir embora junto com ela. Alguns exemplos:

  • cera acumulada no canal do ouvido;
  • infecção no ouvido;
  • efeito colateral de um remédio, que o médico pode avaliar e ajustar.

Por isso a diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia (AAO-HNS, 2014) começa por uma avaliação que procura a causa tratável.

No zumbido crônico, sem causa que se possa remover, a meta muda. Em vez de prometer silêncio, o cuidado busca fazer o som pesar menos no dia a dia, mesmo quando ele continua lá. Para esse grupo existem opções de apoio, como o tratamento do zumbido com neuromodulação em Campo Mourão, sempre junto com o acompanhamento do otorrino.

Por que dá zumbido no ouvido

Segundo o Ministério da Saúde, a perda auditiva é a causa principal em cerca de 90% dos casos. Outras causas e gatilhos citados:

  • cera e infecções no ouvido;
  • problemas na articulação da mandíbula (ATM);
  • diabetes e alterações cardiovasculares;
  • cafeína, álcool, cigarro e excesso de sal ou doces.

Uma explicação estudada: quando a audição perde parte dos sinais, as vias auditivas do cérebro podem ficar mais ativas do que deveriam, e a pessoa passa a ouvir essa atividade. As técnicas de neuromodulação buscam ajustar esse excesso. Veja o que é neuromodulação e como ela age nos circuitos do cérebro. O raciocínio segue a mesma lógica de sensibilização que aparece na dor crônica, em que o sistema nervoso amplifica um sinal.

Mulher sentada na beira da cama à noite, com a mão sobre o ouvido

Quando o zumbido é preocupante e quem procurar primeiro

Quem cuida do zumbido primeiro é o otorrinolaringologista, que examina o ouvido e define a causa. A diretriz de 2014 recomenda audiometria, o exame da audição, quando o zumbido:

  • aparece em um ouvido só;
  • dura 6 meses ou mais;
  • vem junto com dificuldade para ouvir.

Procure o médico sem esperar se o zumbido pulsa no ritmo do coração ou se veio junto com uma perda de audição de repente.

A fisioterapia e a neuromodulação entram depois, como apoio e complemento. Nenhuma das duas substitui o diagnóstico.

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O que é bom pra zumbido no ouvido, segundo as pesquisas

Nenhum método tem garantia. Os que têm mais apoio nas diretrizes:

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC). Uma revisão Cochrane de 2020, com 28 estudos, concluiu que a TCC pode reduzir o impacto do zumbido na qualidade de vida, com certeza de baixa a moderada. Numa análise de 10 diretrizes (BMJ Open, 2023), aconselhamento e TCC foram os únicos recomendados por todas as diretrizes que trataram deles.
  • Aparelho auditivo, quando há perda de audição. A diretriz de 2014 recomenda avaliar o uso. A Cochrane de 2014 achou evidência limitada para afirmar ou descartar o aparelho como rotina no zumbido.
  • Terapia sonora, com sons de fundo ou geradores de som. A diretriz a trata como opção. A Cochrane de 2018 não encontrou evidência de que ela supere o placebo ou a orientação sem aparelho.

E a estimulação magnética para zumbido? O que a ciência diz hoje

A estimulação magnética transcraniana (EMT) usa pulsos magnéticos aplicados por fora da cabeça para modular áreas do cérebro. Veja como funciona a estimulação magnética transcraniana (EMT).

No zumbido, a evidência ainda está em construção:

  • A diretriz americana de 2014 recomenda não usar a EMT como tratamento de rotina para zumbido.
  • A revisão Cochrane de 2011 reuniu 5 estudos e achou apoio muito limitado, com a técnica parecendo segura a curto prazo.
  • Uma meta-análise de 2020 (BMC Psychiatry), com 29 ensaios, viu melhora no questionário de incômodo do zumbido em 1 semana, 1 mês e 6 meses. Os autores pedem ensaios maiores e mais dados de segurança.
  • Um grupo brasileiro, em revisão de 2018 no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, descreve a EMT como segura e útil no controle do zumbido, e pede estudos com acompanhamento mais longo.

Alguns estudos mostram melhora, mas ainda não há consenso. Quando a EMT entra, entra como complemento, depois da avaliação do otorrino e com decisão caso a caso.

Zumbido no ouvido pode ser da ATM, do pescoço ou do bruxismo?

Pode. Existe um tipo chamado zumbido somatossensorial, ligado à articulação da mandíbula (ATM), aos músculos da mastigação e ao pescoço. O artigo do grupo brasileiro de 2018 relata que o zumbido é pelo menos 2 vezes mais frequente em quem tem disfunção craniofacial.

Vale contar na consulta se:

  • o som muda quando você mexe a mandíbula ou o pescoço;
  • você range ou aperta os dentes;
  • há dor na face, na mandíbula ou na nuca junto com o zumbido.

Nesses casos a fisioterapia tem papel próprio, e o mesmo artigo brasileiro dedica uma seção a ela. A fisioterapeuta avalia mandíbula, pescoço e postura e trata a parte muscular. Quando há bruxismo, o dentista entra junto, e o diagnóstico segue com o otorrino.

O que não tem respaldo: ginkgo, zinco, melatonina e remédio caseiro

Boa parte do que circula como solução não tem apoio nas pesquisas:

  • Ginkgo biloba. A revisão Cochrane de 2022 concluiu que benefícios e riscos são incertos, com certeza de baixa a muito baixa.
  • Zinco e melatonina. A diretriz de 2014 recomenda contra o uso deles, e de suplementos em geral, para tratar zumbido.
  • Remédios para ansiedade, depressão ou convulsão. A mesma diretriz recomenda contra o uso de rotina só por causa do zumbido. Quem já usa por outro motivo conversa com o médico que acompanha o caso.
  • Remédio caseiro e receita de rede social. Nenhuma dessas receitas aparece nas diretrizes consultadas. Não pingue nada no ouvido sem orientação médica.

Desconfie de quem promete fazer o zumbido sumir em poucos dias.

Por que o zumbido piora à noite e com o estresse

No silêncio do quarto, os sons do dia somem e o zumbido fica mais evidente. Cansaço e preocupação podem deixar o som mais incômodo, e o incômodo atrapalha o sono. Um alimenta o outro.

Vale olhar com atenção para a ansiedade que muitas vezes anda junto com o zumbido. Duas medidas simples podem ajudar na hora de dormir:

  • deixar um som de fundo baixo, como um ventilador, para o quarto não ficar em silêncio total;
  • evitar café e álcool à noite, que o Ministério da Saúde cita entre os gatilhos.

Nada disso trata a causa, mas pode tornar a noite menos pesada.

Perguntas frequentes

Existe um jeito de acabar com o zumbido no ouvido?

Nenhum método garante isso para todo mundo. Quando a causa é tratável, como cera ou infecção, o zumbido pode sumir com o tratamento dela. No zumbido crônico, o cuidado busca reduzir o incômodo.

Quem tem zumbido no ouvido pode ficar surdo?

O zumbido costuma ser um aviso de que a audição já mudou, e não a causa da perda. Segundo o Ministério da Saúde, a perda auditiva está por trás de cerca de 90% dos casos. A audiometria mostra como está a sua audição e orienta o próximo passo.

Zumbido no ouvido pode ser emocional?

Estresse e ansiedade podem deixar o zumbido mais incômodo, e o zumbido também pode aumentar a ansiedade. Mesmo assim, passe pelo otorrino antes para investigar outras causas.

Fisioterapia ajuda no zumbido?

Pode ajudar quando o zumbido tem relação com a mandíbula, o pescoço ou o bruxismo, como complemento ao que o otorrino definiu.

Como a Clínica Magvida pode ajudar em Campo Mourão

Se você já passou pelo otorrino e o zumbido continua pesando no dia a dia, a Clínica Magvida, em Campo Mourão, avalia se a fisioterapia ou a neuromodulação fazem sentido como complemento. Cada caso é avaliado individualmente. Não existe um protocolo único. Antes de marcar, veja como são a avaliação e as sessões na clínica.

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Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento por profissional de saúde habilitado. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

Revisado por Danusa Oliveira, fisioterapeuta (CREFITO-8 134707-F). Responsável técnica da Clínica Magvida, em Campo Mourão. Conheça a clínica e a equipe.

Fontes